Just Stand By Me
Lindelle olhava para David com um olhar fulminante, odiava quando ele começava com suas conversinhas galanteadoras pra cima dela.
-Querida priminha de cabelo cor-de-rosa, você tem alguma amiga pra me apresentar, se tiver namorado não há problemas, não tenho ciúmes.
-Vá ver se eu estou na sala do Snape, Dave. - disse a corvinal irritada.
-Você está na minha frente. Não vou precisar ir até lá.
Como um relâmpago vermelho, Rebecca virou no corredor quase esbarrando nos dois que discutiam. Ela balançou a cabeça pra se acalmar do susto e olhou a menina a sua frente.
-Ah, olá Lindelle. - exclamou sorrindo.
-Priminha, não vai me apresentar essa dama dotada de tão contagiante beleza? - Ele deu um sorriso perfeito enquanto olhava para a corvinal.
-Rebecca, este é meio primo David.
-Muito prazer, David. - estendeu a mão para o menino com entusiasmo. - Eu já o vi pelo Salão Comunal algumas vezes.
-Eu já lhe vi, é impossível não notar uma mulher tão bela...
-Ah, obrigada. – respondeu muito embaraçada.
-A senhorita já deve fazer algum homem feliz...
Rebecca foi pega de surpresa por completo e olhou a amiga com um pedido de ajuda nos olhos.
-Faço sim, não é Lin?
-E como, a agenda dela é lotada, de segunda a segunda.
-Senhorita Rebecca, aceita sair comigo? – perguntou ignorando a prima.
-O que? - perguntou confusa, antes de acrescentar rapidamente. - Meu namorado não ia gostar.
-Sem problemas, não sou ciumento.
-Ele é. Mas nós podíamos sair, se você quiser ir, Lin? - olhou suplicante para ela.
-Eu acho melhor eu não ficar segurando vela. - disse Lindelle. -Acho que vou deixar meu primo aqui e ir tomar um chá. David, juízo.
A ruiva a observou indo embora com um olhar de incredulidade, ela tinha sido abandonada.
-Agora que minha prima deixou-nos a sós, se você quiser podíamos conversar.
-Eu preciso enviar uma carta, pode me acompanhar. - ela deu de ombros e começou a andar em direção ao corujal.
-Claro, seria uma honra. Rebecca, se é que me permite chamá-la assim, você tem alguma matéria preferida?
-Acho que Poções e pode me chamar de Rebecca, desde que não me ponha nenhum apelido, por favor.
-Não gosto muito de apelidos.
Ela arregalou os olhos.
-Mesmo? - os lábios rubros se abriram em um sorriso involuntário. - Que coincidência.
-Incrível. – concordou calmamente.
No corujal David começou a ir em direção as corujas logo a diante, mas Rebbeca virou a direita e passou por uma portinha escura escondida nas sombras, ao sair segurava uma pequena casa de cachorro adaptada.
-Essa é Kallira. - explicou se divertindo com a curiosidade estampada no rosto do menino, e tirou de dentro uma águia real jovem. – Eu sei que a gaiola não é muito tradicional, mas serve muito bem.
-Ah, eu tenho uma ave de rapina em casa também, mas meu pai nunca me deixa usá-la.
-E por que não? - as mãos trabalhavam rápido prendendo a mensagem na garra da ave.
-Ele acha que vou usar a ave para alguns fins.
-Que tipo de fins seria esses?
Ele sorriu, colocou suas mãos nos bolsos do casaco dizendo:
-Eu tenho dezesseis anos... Meu pai acha que eu sou meio namorador.
-Jura? Isso nem me passou pela cabeça.
Ele olhou para os belos olhos verdes dela.
-Você tem um lindo senso de humor.
-É, às vezes eu estou inspirada. - a ave alcançou os céus e seguiu seu trajeto pelo horizonte. - Seu pai é muito rígido?
-Bastante. Odeia que eu toque em casa.
Sentada no batente da janela Rebecca pode notar a luz que refletia nos cabelos castanhos dele deixando-o incrivelmente bonito.
-É puro sangue? – ela mordeu o lábio inferior, não queria ter perguntado aquilo, foi simplesmente a força do hábito.
David sorriu, acostumado com aquele tipo de pergunta e desalinhou os cabelos respondendo:
-Sou sim. Minha mãe estudou na França, em Beauxbaton e meu pai aqui.
-Beauxbaton? Eu estudei lá dois anos, antes de me mudar, ainda tenho algum sotaque, mas são raros aqueles que o percebem. - começou a balançar o corpo se inclinando para fora da janela perigosamente, para observar o chão a metros de distancia.
-Minha mãe fala que é um lugar magnífico. - Ele encostou se na janela também, olhou para o horizonte.
-E é. Mas aqui também me agrada muito. - abaixo dela alguns lufa-lufanos caminhavam no gramado, tirou um Snap Explosivo da Zonko's do bolso e estendeu pra ele - Quer fazer as honras?
-Quero sim. - Disse ele pagando a bombinha, sorrindo. -Será que vamos ser pegos?
-Talvez. Está com medo?
-Não teria medo com uma mulher como você ao meu lado. - Ele lentamente a abraçou.
-Você é mesmo um mulherengo. – reclamou brincando, apoiando a cabeça no ombro do garoto. - Não devia fazer esse tipo de coisa.
-Não devia, mas quando estou perto de você não consigo me segurar. - Ele sussurrou no ouvido dela
Rebecca não conseguiu segurar o riso.
-Que desculpa mais esfarrapada, quantas garotas já a ouviram?
-Nenhuma. - e a encarou para que soubesse que falava sério.
-Se você diz, eu acredito. - a noite já começava e em meio ao escuro ela entrelaçou sua mão com a dele e fechou os olhos. - É melhor nos voltarmos pro jantar.
-Rebecca... Posso profanar teus lábios com um beijo?
-Não, eu não sou tão fácil assim, mas gostei do seu vocabulário. - ela sorriu de orelha a orelha e saltou do batente para o chão de pedra, o encarando e estendendo uma mão para o garoto mais velho. - Vamos?
-Sim. - disse ele pegando a mão delicada dela.
Antes de irem a garota puxou do bolso outro Snap Explosivo e sem pestanejar, atirou em meio a um novo grupo de alunos, agora da Corvinal.
-Você está parecendo a Lind.
Ele passou as mãos nos lindos cabelos castanhos e os dois correram para fora do corujal antes que alguém visse procurar os culpados.
By Rebecca e Lindellë















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