Entre a Loira e a Ruiva
-Eu odeio aquela mulher! - Cathy disse raivosa.
Foi a primeira coisa que ela falou quando se viu sozinha na sala de Filch.
-Não se preocupe. - Filch sorriu maldoso - Você vai ter companhia.
Uma sonserina de cabelos ruivos adentrou muito mal-humorada na sala. Catherine olhou para ela solidária, mesma sendo sonserina a garota pegara detenção.
-Você apronta bastante. - ela falou divertida - Não é sempre que uma sonserina é vista aqui.
Rebecca a encarou não achando nada divertido.
-Pois saiba que é muito mais raro encontrar um grifinório. Acredite, eu sei muita coisa sobre detenção. - ela bufou e sentou no chão frio de pedra. - Mas encante-nos, Filch, que deliciosa tarefa você preparou para nós?
-Certo, certo. - ele fungou alto e apontou uma caixa grande em um canto - Precisamos de corações e tripas de iguanas, aquelas foram encontradas morta na floresta e ali estão as facas para o trabalho.
Cathy olhou com nojo para o recipiente, mas uma luz surgiu na sua cabeça. Ela esperou Filch recolher as varinhas e sair. Ela olhou para sua bolsa, e tirou de lá um par de luvas.
-Você tem uma dessas na bolsa? - ela sacudiu as luvas - Se não, a gente divide.
A sonserina a encarou com uma mistura de desdém e gratidão incomum, mas negou com a cabeça.
-Não precisa, eu já fiz muita coisa pior em detenções do Filch. - falou triunfante, arregaçando as mangas mais do que disposta a terminar aquilo rapidamente.
-Não seja ridícula. - Cathy enfiou uma das luvas nas mãos da garota - Você vai ficar com as mãos fedendo.
-Bem, obrigada. - sorriu para loira e olhando para as mãos viu que até mesmo as luvas da grifinória lhe eram grandes e estendeu a mão nua para ela - Sou Rebbeca Staton, prazer.
-Catherine Taylor.- ela lhe sorriu de volta - Você vem muito por aqui?
Cathy fez uma gesto impaciente para a sala horrenda.
-Umas três vezes por semana, sabe como é, Filch é como um pai pra mim. - debochou pegando a primeira iguana e passando para a garota. - E você?
Ela riu um pouco pela afirmação.
-Quase nunca. Mas sabe, é tão aconchegante aqui que eu não pude resistir.
-Ah sim. - concordou séria - Você tem que aparecer para as detenções noturnas, não sei o que é mais agradável na floresta proibida, as enormes aranhas subindo pela perna ou os sapos coloridos que lançando veneno.
-Tenho certeza de que é uma das melhores atrações do colégio. - ela concordou um sorriso ácido
Elas se sentaram diante dos reptes que deveriam ser dessecados e pegaram suas respectivas facas cirúrgicas.
-Que coisa mais horrivel. - Rebecca sussurrou encostando o objeto afiado sobre a pele da iguana, mas titubeando em cortá-la.
Cathy mordeu os lábios.
-Não acho horrível, só sem preparo.
-Sem preparo? Existe algum tipo de preparo para essa atividade?
Com um movimento rápido a sonserina abriu um corte profundo sobre as escamas verdes e tirou-lhe as tripas e o coração.
-Não para as iguanas, mas para a sua mente. - ela riu de sua explicação - Não que você não seja corajosa, mas ninguém está totalmente acostumado a lidar com os mortos.
-Uh! - ela agitou as mãos espirrando um pouco de sangue em sua camisa branca. - "Ninguem está acostumado com os mortos"! Que profundo.
Catherine olhou para baixo e sorriu frouxamente.
-Eu também achava isso até o ano retrasado. - ela iria continuar, mas calou-se para não ficar com os olhos marejados e cortou as iguanas com toda a fúria que conseguiu, fazendo o trabalho acelerar.
Rebecca a observou meio encabulada.
-Olha, desculpa se o que eu falei te magoou. - ela passou a mão pela testa para secar o suor que ameaçava escorrer - Eu não sou muito boa com as pessoas.
-Não é você, não se preocupe. São só velhas lembranças ameaçando aparecer.
Ela voltou novamente sua atenção para as iguanas.
-Lembranças não muito felizes não?
A loira assentiu e um silêncio incomodo se abateu sobre elas.
-Já sei. - a sonserina gritou triunfante - Sabe o que eu faço quando fico triste? Eu canto uma musica bem ridícula e infantil! Me acompanha!
Ela continuou com o trabalho enquanto limpava a garganta e começou a cantar:
-If you go out in the woods today
You're sure of a big surprise
If you go out in the woods today
You'd better go in disguise
Ela fez uma pausa e olhou para a loira, que continuou a letra meio apreensiva.
-For every bear that ever there was
Will gather there for certain, because
Today's the day
The teddy bears have their picnic
Cath sorriu e elas fizeram um dueto.
-Picnic time for teddy bears
The little teddy bears are
Having a lovely time today
Watch them, catch them unawares
And see them picnic on their holiday
See them gaily gather 'bout
They love to play and shout
They never have any cares
At six o'clock their mommies and daddies
Will take them home to bed
Because they're tired little teddy bears.
-Hum, isso foi muito... - ela titubeou enquanto procurava a palavra certa - Interessante.
Rebecca riu assentindo.
-Pra mim sempre funciona. - e cortou a ultima iguana.
Uma tosse asmática interrompeu o que Catherine iria dizer.
-Aqui não é lugar para cantorias, fora! Vocês já acabaram.
Ela olhou desconcertada para Filch. Ele nunca teria um momento de compaixão?
-Claro. Já estamos saindo. - ela olhou para a sonserina - Você vem?
-Obviamente. - Rebecca saltou da cadeira e mandou um beijo de adeus para Filch enquanto passava pela porta - Nos vemos por ai, querido.
Ele alçou as sobrancelhas em desagrado soltando seus resmungos eternos e bateu a porta de mogno nas costas das garotas.
-Acho que é melhor não provocar. - Cathy sussurrou para Rebecca.
-É mais forte do que eu. - ela sorriu e as duas foram lavar as mãos ensangüentadas antes de jantar.
Na entrada do salão principal as duas últimas pessoas que entraram foram uma estranha dupla, grifinória e sonserina. Lado a lado, sem brigas, momentaneamente.
By Rebecca e Catherine















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